Fonte: Dissertação de Mestrado de Cláudia Samuel Kessler

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Segue trecho da dissertação que cita a equipe:

“No início da década de 1980, o futebol feminino surgiu em Santa Maria, segundo a visão das jogadoras, como uma moda. Houve um “boom”, um crescimento rápido, que resultou em uma ascensão inesperada e empolgante. A primeira competição na cidade foi a Copa Pepsi, em 1981, a qual contou com cerca de 20 equipes femininas. Algumas destas equipes foram formadas apenas para esta competição, porém, outras prosseguiram jogando, devido à empolgação e aos bons resultados obtidos. Portanto, das diversas equipes antes existentes, restaram menos times. Com o passar dos anos, estas equipes se “desmancharam” e formaram apenas uma equipe.

Esta única equipe foi formada com o intuito de apresentar uma espécie de “seleção da cidade”, em que jogassem apenas as melhores.

Daniela – “Inclusive teve times que começaram assim e terminaram antes de acabá o torneio, aquele primeiro campeonato da Copa Pepsi. Entraram achando que jogavam muito e tomaram um saco de gols no começo e já acabaram desistindo… Uma não ia mais, a outra não ia mais e acabô o time. E aí, então, depois diminuiu, porque daí foi meio que uma seleção natural de quem mais ou menos jogava.”

Com a “quebra” destas equipes, em 1983 foi “montado” o departamento feminino do Esporte Clube Internacional, e depois do fechamento dele estas jogadoras foram todas para o Riograndense, em 1984. Estas equipes participaram do campeonato Estadual, mas não conseguiram conquistar o título devido a diversas dificuldades. Para participar de um campeonato deste porte, as equipes femininas precisavam estar vinculadas a uma equipe masculina credenciada à Federação Gaúcha de Futebol. A ida da Baixada Melancólica75 para o Estádio dos Eucaliptos foi decorrente do desinteresse da presidência do Internacional em permanecer com o departamento feminino.

Na época presidente do Esporte Clube Internacional, Eugênio Streliaev, em entrevista cedida ao jornal A Razão, em 1º de dezembro de 1983, afirmou que a equipe feminina havia sido desativada para concentrar esforços no time profissional masculino. Porém, este não é o mesmo discurso mantido pelas jogadoras. Segundo elas, esta ação foi resultante ainda do preconceito e das pressões de pessoas que iam para a beirada do campo insultar as mulheres.

Érika – “Por quê? Porque deu uma faísca de agulha pra se formá os times feminino. Mas foi assim, o mesmo tempo que subiu, morreu. Quando houve a ascensão, parece que os cara, os dirigente botaram um extintor em cima. Quando começô as cidades vê que podiam, tê os seus time junto, aí eles alegaram que eles tinham, que eles gastavam muito com juniores, com profissional e não iam gastá com as jogadora que não davam retorno. Mas as jogadora, o jogo era antes dos junior, né, e enchia o estádio naquela época. Enchia os estádio. Então assim, ó, o que que foi que aconteceu dentro da Federação, dentro dos clubes eu não consegui entendê. Porque ela surgiu e abafô.” “

Diário sm: ex-jogadoras da cidade relatam o sucesso do futebol feminino na década de 80

Em 2019, o Diário de Santa Maria produziu uma reportagem que conta em mais detalhes, o surgimento do futebol feminino em Santa Maria, da criação no Imembuy, passagem por Inter-SM e Riograndense. Para ver mais, clique AQUI.